Metodologia
Este site afirma coisas sobre o dinheiro de terceiros. Esta página existe para que você possa verificar cada afirmação — e para ser explícita sobre o que os números não conseguem dizer.
1. A pergunta que o site responde
Não é "quanto este ativo rendeu". É "em quantos dos momentos possíveis de entrada este ativo teria superado um piso".
A diferença importa. Retorno acumulado é uma foto: depende inteiramente da data que você escolheu para começar. Se um ativo rendeu 120% em cinco anos, isso pode significar que ele foi bom em qualquer entrada, ou que teve um único trimestre excepcional que salvou o resto.
Para cada ativo pegamos todos os meses possíveis de entrada, mantemos por um prazo fixo, e contamos em quantos deles o piso teria sido melhor.
Permanência fixa
Toda entrada é mantida exatamente o mesmo tempo. Uma versão anterior deste cálculo mantinha cada entrada até hoje, o que comparava um resultado de cinco anos com um de um mês e inflava a contagem de vitórias. Isso custa histórico: 60 entradas mensais com cinco anos de permanência exigem dez anos de dados. Ativos sem esse histórico aparecem com menos entradas, nunca com permanência menor.
Quatro respostas possíveis
Cada ativo, contra cada piso e em cada prazo, recebe uma de quatro respostas. Bateu quando mais de 55% dos meses de compra terminaram à frente do piso; metade a metade de 45% a 55%, com as duas pontas incluídas; ficou atrás abaixo de 45%. A faixa do meio existe porque 52% contra 48% não é vitória de ninguém: com janelas sobrepostas, uma diferença desse tamanho cabe num único ano bom ou ruim.
A quarta é sem resposta. Com menos de 2 períodos independentes do prazo, não há proporção que valha mostrar, e a página diz em que mês o prazo passa a responder: o início do histórico mais 2 vezes o prazo.
A página de cada ativo abre no maior prazo que responde, até 5 anos. Uma ação com dois anos de bolsa abre na resposta de um ano, e não numa tela de 5 anos sem nada a dizer.
Ranking e Mapa
Há um ranking para cada piso, classe de ativo e prazo, ordenado pela proporção de meses em que o ativo terminou à frente do piso. Ao lado de cada linha, a coluna Histórico conta os períodos independentes: curto abaixo de 3, médio de 3 a 4, longo a partir de 5. Um histórico perfeito em 5 períodos independentes aparece por acaso em 1 de cada 32 tentativas, a primeira contagem que fica abaixo do limite convencional de 5%.
O Mapa põe os mesmos ativos num plano: a proporção de meses em que bateram o piso num eixo, o histórico no outro. É sempre de 5 anos, para que as posições não mudem de sentido de uma visita para outra.
2. De onde vêm os dados
| Série | Fonte | Atualizada em |
|---|---|---|
| CDI | Banco Central (SGS) | 2026-10-21 |
| IBOVESPA | brapi.dev | 2026-10-21 |
| IGP-M | Banco Central (SGS) | 2026-09-30 |
| IPCA | Banco Central (SGS) | 2026-09-30 |
| SELIC | Banco Central (SGS) | 2026-10-21 |
| Dólar | Banco Central (SGS) | 2026-10-21 |
| Preços de ações, ETFs e BDRs | brapi.dev | diária |
| Cotas de fundos | CVM, informe diário | mensal |
A data de atualização aparece em cada página. Os índices de inflação são publicados com atraso — o IPCA em cerca de um mês, o IGP-M um pouco antes — por isso as séries deles terminam antes das diárias. Quando um mês não está publicado, a janela de comparação encurta; nunca preenchemos o buraco com uma estimativa.
Fundos de investimento
A aba de fundos traz 364 fundos da CVM, não papéis de bolsa. São 26 mil fundos entregando cota todo dia útil e um site estático não responde por todos, então o conjunto é fechado por um critério declarado: os maiores por patrimônio, os maiores por número de cotistas, e os 100 com maior alta de cotistas no último ano — só entre classes FIF em funcionamento, abertas ao público geral e com pelo menos 1.000 cotistas. Esse piso faz para o fundo o que o volume faz para a ação: sem ele, o topo da lista por patrimônio era um fundo de R$ 204 bilhões com um cotista.
A cota do fundo já vem líquida da taxa de administração e da de performance, e o piso contra o qual ela é medida não desconta nenhuma. A comparação, portanto, é contra o fundo — o que ele entregou depois de cobrar. Cada página de fundo diz isso.
Proventos: uma conta por ativo
Uma ação que paga dividendo abre valendo menos, no valor do que pagou. Ignorar o provento faria parecer que o dinheiro evaporou. Por isso, quando nossa fonte registra os proventos de um ativo, somamos cada um ao preço no dia em que foi pago, como se fosse reinvestido no próprio ativo. A diferença não é decorativa: nos últimos 5 anos, uma pagadora pesada como PETR4 rende +110% só na cotação e +644% com os proventos reinvestidos. Quem gastou os proventos ou aplicou em outra coisa teve outro resultado: o número mede o que o ativo entregou, não o que cada pessoa fez com ele.
Dos 1.513 ativos publicados, 569 usam os proventos reinvestidos. Para 580 a fonte não registra provento nenhum, embora muitos paguem — quase todos os ETFs e BDRs estão nesse grupo. Neles o número considera só a cotação, e a página do ativo diz isso. Os 364 fundos da CVM usam a cota, que já inclui o que o fundo distribui. Cada ativo tem uma conta só, e ela é a mesma no ranking, no Mapa e na página dele.
No retorno com reinvestimento, o JCP entra pelo valor líquido do imposto retido na fonte: 15% para pagamentos até 2025 e 17,5% a partir de 2026. É a convenção da nossa fonte, confirmada por ela. Fontes que reinvestem o valor bruto mostram um retorno um pouco maior para quem paga muito JCP.
3. Como os pisos são construídos
Um piso é um índice mais um spread anual. Guardamos apenas o índice puro e somamos o spread na hora de comparar:
piso da janela = índice da janela × (1 + spread)anos
O spread corre no calendário, não no pregão. Uma janela de
cinco anos contra IPCA+6% cobra exatamente 1,065 acima da
inflação do período, mesmo que o papel tenha ficado meses sem negociar. Antes
contávamos os pregões observados do próprio ativo, o que barateava o piso justo
nas séries mais ralas.
Índices mensais (IPCA, IGP-M) têm a taxa do mês distribuída pelos pregões daquele mês, de forma que o mês fecha exatamente na taxa publicada. Repetir a taxa mensal em cada dia inflaria o índice em cerca de vinte vezes.
O IPCA usa o mês de referência, não o de divulgação.
Pisos que são cotação, não taxa
O dólar e o Ibovespa não publicam uma taxa: publicam um nível — reais por dólar, pontos de índice. Para esses, o retorno de um dia é a razão entre dois fechamentos, o mesmo cálculo aplicado a uma ação, e nada é distribuído pelo mês nem convertido de porcentagem.
O dólar usado é a PTAX de venda divulgada pelo Banco Central. Existem também a de compra e a média, e elas não dão o mesmo número. A PTAX é uma referência de fechamento: ninguém compra moeda por ela, e quem compra paga IOF e spread que este piso não cobra.
4. Bruto e líquido
Todos os números deste site são brutos de imposto de renda.
Isso é uma limitação real, não um detalhe de rodapé. Os ativos comparados não estão no mesmo ponto da esteira de custos:
| O que mostramos | Taxa de administração | Imposto de renda |
|---|---|---|
| Cota de fundo | já descontada | não descontado |
| CDI, SELIC, IPCA, IGP-M como índice | não existe | não descontado |
| Ação e ETF | não existe | não descontado |
| Dólar como piso | sem IOF nem spread de câmbio | não descontado |
Com come-cotas e tabela regressiva, normalizar isso troca posições no ranking. Um fundo multimercado e uma ação com o mesmo retorno bruto chegam diferentes na sua conta. Enquanto essa normalização não existir aqui, trate comparações entre classes de ativo com cuidado; entre ativos da mesma classe, a comparação é justa.
5. O que estes números não conseguem dizer
Janelas se sobrepõem
Entradas mensais consecutivas compartilham quase todo o período. Duas entradas seguidas com cinco anos de permanência têm 59 dos 60 meses em comum. Um único ano ruim aparece em dezenas de janelas seguidas e parece muitos fracassos independentes quando é um só.
Por isso cada resultado vem acompanhado de quantos períodos independentes cabem no histórico: quantas janelas do prazo escolhido existem lado a lado, sem se sobrepor. Um "199 de 199" em dez anos se apoia em duas décadas distintas, não em 199 medições. É esse número, e não a fração, que diz o tamanho real da amostra.
O Ibovespa não reinveste dividendos
O Ibovespa é um índice de preço: ele acompanha a cotação das ações que o compõem e não soma os proventos que elas pagam. Não existe série de retorno total do índice na nossa fonte, então esse piso é sempre o de preço.
Como o ativo soma os proventos quando a fonte os informa e o índice não, a comparação favorece o ativo, e favorece mais quanto mais ele paga. Leia o resultado contra o Ibovespa como "superou a bolsa em preço", não como "superou quem investiu na bolsa".
O IGP-M é um piso mais alto que o IPCA, e de forma instável
Nos 27 anos em que as duas séries convivem, o IGP-M correu 1,38 ponto percentual por ano acima do IPCA. Então "IGP-M+6%" não é o mesmo pedido que "IPCA+6%": é bem mais difícil de bater.
E essa média engana, porque o prêmio é tudo menos estável. Em 2020 o IGP-M passou o IPCA por 18,6 pontos; em 2023 ficou 7,8 pontos atrás. O índice pesa preços no produtor e câmbio, que disparam em crise e recuam depois. Escolher esse piso significa que a resposta muda bastante conforme onde a janela cai.
Viés de sobrevivência
A base contém os ativos que existem hoje. Empresas que quebraram e fundos que fecharam saíram das listas, e sua ausência empurra as médias para cima. Ainda não corrigimos isso.
O passado não é previsão
Este site é descritivo: mostra o que aconteceu, não o que vai acontecer. Não há recomendação de investimento em lugar nenhum, e a ausência é deliberada.
6. O que fica de fora, e por quê
De 1.821 séries no acervo, 1.513 são publicadas.
- Eventos societários são corrigidos, não descartados. Nossa fonte ajusta dividendos, mas não desdobramentos e grupamentos. Um desdobramento aparece como uma queda de 50% num único dia e destruiria o cálculo. Separamos um evento societário de uma queda real pelo horário: um desdobramento já abre ajustado, num fator que a B3 usa de fato (1:2, 3:2), e o papel negocia normalmente no resto do dia; uma queda real acontece durante a sessão. Em 87 séries o fator foi removido e o movimento real do dia preservado. Em 103, uma cotação que subiu e voltou em poucos dias foi descartada como erro de digitação. Em 135, sobrou um salto que nenhuma dessas explicações cobre — nada antes dele é confiável, então a série começa depois.
- Fechamento sem negócio não é preço. Quando um papel negocia dez mil ações num dia em que costuma negociar cinco milhões, o fechamento daquele dia é uma cotação parada, não um preço. Foi assim que a ABEV3 ficou de fora: na reestruturação AmBev/InBev a fonte entrelaçou dois instrumentos, e alternar entre eles produzia oscilações de 30% para baixo e 20% para cima sem que nenhum passo isolado chamasse atenção. Descartamos essas sessões — em 1097 séries havia ao menos uma, e na série mediana elas são 2,3% do histórico. A comparação é sempre com a vizinhança do próprio papel, nunca com um valor fixo: volume cresceu ordens de magnitude em 26 anos, e um piso absoluto condenaria o início da história de todo mundo que ficou mais líquido.
- Séries curtas. Menos de 12 janelas não formam distribuição, e uma fração como "3 de 3" não significa nada. Esse é o corte para existir uma página; o ranking exige 60 janelas, porque uma lista ordenada por proporção é vencida por quem tem a amostra menor.
- Menos de 2 períodos independentes. Se todas as janelas do prazo se sobrepõem umas às outras, o histórico contém uma travessia de mercado só, e a página diz que não dá para responder em vez de apresentar um número. Vale igual para o ranking e para a página do ativo.
- BDRs não entram na lista de ações. Ação estrangeira cotada em reais acumula o retorno lá fora e a desvalorização do real, o que vence quase qualquer piso em reais. É verdade, mas afogaria todos os ativos brasileiros numa lista só. Ficam ranqueados entre si, na aba BDRs.
- Ativos com liquidez baixa ficam fora do ranking. A lista principal exige volume médio diário de pelo menos R$ 100.000 nos últimos 3 meses. Fundos da CVM não têm ticker nem negociação, então esse volume não existe para eles: o piso equivalente é o de cotistas, aplicado antes de o fundo entrar no site. Abaixo disso o ativo é ilíquido — o investidor não consegue comprar ou vender sem impactar o preço. O ranking liderado por small caps que ninguém conhece perde credibilidade, e um produto financeiro não pode se dar a esse luxo. O ativo continua acessível pela busca, com a página individual completa. O volume é medido sobre os últimos 63 pregões disponíveis.
7. Verificação
O cálculo do CDI é conferido contra o acumulado oficial publicado pelo Banco Central: uma série independente da que usamos, com concordância dentro de 0,012 ponto percentual em cada um dos últimos quatro anos. Se essa checagem falhar, nada é publicado.
Cada piso novo entra com a mesma exigência. O IPCA e o IGP-M são conferidos mês a mês contra a taxa que a fonte publicou para aquele mês; o dólar e o Ibovespa, contra a variação de cada ano civil, que é um número público e fácil de contestar. Um piso que não reproduz o que se publica sobre ele não vira página.
Cada página traz a data da última observação real de cada série — não a data em que o site foi gerado.